A Baobá vem comunicar que, no âmbito das eleições para o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFBA, optou por não apoiar coletivamente nenhuma das chapas que disputam o DCE.
Entendemos que na ausência de uma chapa que possa abranger todos os nossos anseios, cada integrante deve ter a possibilidade livre de manifestar, de modo responsável, uma posição coerente com sua visão e com aquilo que deseja da Universidade.
Ao longo das últimas semanas nos reunimos com algumas das chapas que estão concorrendo ao pleito e como resultado desse diálogo, acreditamos que é preciso manifestar a nossa compreensão do momento.
Como grupo que se reconhece de esquerda, repudiamos qualquer discurso de pretensa neutralidade e repelimos, portanto, qualquer projeto político que não esteja arvorado no ideal de universidade pública, inclusiva, plural e socialmente referenciada. Uma universidade de pretxs, mulheres, pobres, índixs, gays, transgêneros, e que assim, somente assim, pode ser verdadeiramente uma universidade de todxs.
Qualquer grupo que não entenda essa pauta como central na universidade, ainda que o trate como coadjuvante, está alinhado, no nosso entender, a um projeto de educação que, muitas vezes de modo até inconsciente, reproduz um modelo excludente e elitista.
Ainda assim, qualquer discurso que queira se assumir com este objetivo, mas guarde em seu seio disparidades tão abismais de visões de mundo, não resguarda em si uma pluralidade política e sim uma aberração ideológica, que permite a possibilidade de que na disputa dos espaços internos vença o paradigma anacrônico do que não queremos mais. Quem nunca esteve historicamente do lado dxs oprimidxs deve mostrar mais que o mero discurso para que se crie o ambiente de diálogo construtivo e visionário. Para que se afaste de vez o conservadorismo.
Assim, nos posicionamos lado a lado com aquelxs que entendem a assistência estudantil como pilar fundante da universidade e ponto fulcral na vontade de se incluir mais pessoas com mais responsabilidade. Nos posicionamos lado a lado com aquelxs que entendem que é sim função do movimento estudantil levantar a bandeira do feminismo, dxs negrxs, dxs sem terras, dxs quilombolas, dxs LGBTs e mostrar que a universidade também está aberta para pretxs, pobres e putas. Porque defender o discurso contra-hegemônico não é cair na falácia de acreditar que todxs estão no mesmo lugar de fala, que o debate é igual para todxs.
O que nós queremos é um DCE que dê voz àquelxs que só em um passado recente têm tido a sua oportunidade de gritar: A UFBA TAMBÉM É NOSSA!
(Publicado em: 25/11/14)

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